No mercado premium, estrutura vale mais que desconto: dados mostram amadurecimento do setor imobiliário

No mercado imobiliário de alto padrão, a lógica de negociação vem mudando de forma consistente. O foco em desconto, que antes era um dos principais gatilhos de fechamento, perde espaço para um fator mais relevante: a estrutura financeira da operação e seus impactos patrimoniais no longo prazo. O comprador premium não toma decisões baseadas apenas em preço. Ele avalia como a aquisição afeta sua liquidez, sua estratégia de investimentos e sua posição patrimonial, o que transforma o imóvel em uma decisão de alocação de capital e não apenas de consumo.

Segundo a CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção), o mercado imobiliário brasileiro apresentou crescimento de 20,9% nas vendas de imóveis novos em 2024, seguido por alta de 15,9% nas vendas em 2025 e crescimento de 13,5% nos lançamentos no mesmo período. Esses números indicam um setor em expansão e mais sofisticado, no qual a decisão de compra se torna menos sensível a pequenas variações de preço e mais orientada à qualidade da estrutura financeira envolvida na operação.

Nesse contexto, o desconto deixa de ser o centro da negociação. Ele continua sendo um elemento visível e de fácil comunicação, mas perde relevância frente à análise da estrutura da compra. A decisão passa a envolver variáveis como forma de entrada, uso de crédito imobiliário, preservação de liquidez, impacto no fluxo de caixa e planejamento patrimonial. Em vez de focar em “quanto posso reduzir?”, o cliente premium passa a avaliar “qual a melhor forma de estruturar essa compra sem comprometer meu patrimônio”.

Dados da Abecip reforçam a importância do crédito imobiliário nesse processo, indicando que o financiamento pode chegar a até 90% do valor do imóvel em determinadas condições, dependendo do perfil do cliente e da instituição financeira. Isso evidencia que o mercado já opera com alta capacidade de alavancagem estruturada, permitindo ao comprador organizar melhor sua liquidez sem necessariamente depender de grandes entradas imediatas.

Nesse cenário, a introdução precoce do desconto pode gerar efeitos contrários ao desejado, como a redução da percepção de valor do ativo e o deslocamento da conversa para uma lógica puramente transacional. Por outro lado, uma abordagem centrada em estrutura fortalece a análise racional da decisão, permitindo que o comprador entenda o impacto patrimonial da operação de forma mais clara e consistente, especialmente em operações de maior valor no segmento premium.